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95 anos de Cineteatro

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«Corria o ano de 1930 quando, sob o agora irónico antetítulo da rubrica “Elvas Moderna” do Jornal de Elvas, se dava conta de “Como é foi construído o novo Cine-Teatro”. A nossa cidade, então, regozijava-se com o projeto do arquiteto Jorge Coutinho, erguido no local do antigo Convento das Domínicas. ​Honrando o 95.º aniversário do Cine-Teatro de Elvas, recordamos os marcos da sua criação sem deixar de estabelecer um paralelismo com a reabilitação a que está atualmente a ser sujeito.

 

As ruínas do antigo convento eram um vexame estético para a cidade, para além de, ameaçando desabar sobre a Rua dos Quartéis, representarem um perigo público. Um pouco profeticamente, naquele local tinham já sido improvisados circos e animatógrafos. Com efeito, por duas vezes se tentou construir um teatro digno - em 1882 e 1912 - mas só o projeto aprovado em 1925 viria a concretizar o sonho. Foram precisos 870 dias, muitos materiais e esforço humano.

 

O novo teatro contrastava imenso com a Elvas de então. A sua infraestrutura elétrica, a encargo do engenheiro Mariano Fernandes, era assombrosa para a época. Imagine-se que as 850 lâmpadas que possuía dobravam em número todas aquelas usadas para iluminar as ruas da cidade!

 

O palco, iluminado por quatro tons de luzes diletantes, terá impressionado igualmente os nossos antepassados. Inovou, também, com um sistema de ventilação engendrado para fazer face às altas temperaturas do verão alentejano. Por outro lado, estava preparado para a grande novidade da época: o cinema sonoro!Como se pode constatar, era um espaço bastante avant-garde. Tal facto foi-nos tão mais dignificante quanto, à época - num mundo em que não existiam nem Internet nem autoestradas -, a distância entre a província e o “mundo global” fosse muito maior. Elvas, conjuntamente com Viana do Castelo e à exceção das grandes Lisboa e Porto, era a única localidade rural a usufruir de um espaço com equipamentos de tamanha qualidade! A este fator descentralizador juntou-se a preocupação para com a democratização cultural (termo que então não estava muito em voga). Com isto quer-se dizer que foi “economicamente” pensado para ser acessível a uma amplitude de carteiras que ia desde a elite aos remediados.

 

Enfim, para o bem e para o mal, o tempo não interrompeu o seu curso inexorável. O que outrora foi uma obra pública do melhor que havia, caiu num estado de degradação e anacronismo que certamente entristeceu os amantes da cultura. No palco do Cine-Teatro de Elvas meteram pé artistas atrás de artistas que marcaram gerações… É importante preservar o seu legado: seja através de métodos historiográficos como da continuação da sua obra ou da conservação do espaço físico onde ela ganhou vida.Estamos ansiosos por ver o resultado final. Podemos adiantar que neste momento está a ser levado a cabo um grande trabalho de construção civil. Depois, quando se forem embora as betoneiras e se varrer o pó do chão, cabe-nos a todos nós ajudar à dinamização deste espaço cultural devolvido ao século XXI.

 

​Feliz 95° Aniversário, Cine-teatro Municipal de Elvas!»​

por Rodrigo Fialho

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